O PEQUENO FAROL · SEGUNDO EPISÓDIO
A manta dobrada
Chuva no telhado. Degraus conhecidos. Um lugar para descansar.
Uma história em voz baixa.
As gravações com voz masculina e feminina estão em preparação. Você pode ler a história completa abaixo.
Ainda não há áudio para reproduzir nem vozes para alternar.
A história completa
A chuva começou com pequenas batidas no telhado do farol. A faroleira parou junto à janela, segurando uma manta que acabara de tirar da prateleira. As pontas estavam dobradas juntas, suaves como as páginas de um livro muito lido.
Ela colocou a manta na cadeira e abriu uma dobra, depois outra. A lã ainda guardava um pouco do sol da tarde. Perto da borda havia uma fileira de pontos desiguais, feitos há muito tempo com linha azul.
Lá fora, o caminho escurecia devagar. A chuva se juntava nas pequenas cavidades das pedras. O mar e o céu ficavam quase da mesma cor, com a luz do farol passando lentamente entre os dois.
A faroleira aproximou a cadeira da janela. Ajeitou uma almofada atrás das costas e apoiou os pés em um banquinho de madeira. Não era um banquinho especial. Estava ali havia anos, esperando no lugar certo.
Ela escutou o telhado. Algumas gotas pousavam de leve. Outras se juntavam na calha e caíam com um som redondo. Entre elas, o quarto tinha sua própria quietude: o relógio, a chaleira esfriando, a madeira se acomodando sob o chão.
Estendeu a manta sobre os joelhos. As mãos descansaram junto aos pontos azuis. Por um tempo, acompanhou a linha sem contar. A luz chegou à janela e se afastou, como alguém que conhecia bem o caminho.
Mais tarde, ela diminuiu a pequena lâmpada. A chuva continuou sem precisar da sua atenção. A cadeira podia ficar junto à janela. A luz lá em cima podia seguir girando. Envolvida naquela lã familiar, fechou os olhos e deixou a noite como estava.
Uma história original de NightWhisper. Para ler com calma, sem promessas de resultados médicos.
